cover
Tocando Agora:

Duas novas espécies de escorpiões descobertas na Amazônia são de Roraima

Duas novas espécies de escorpião são descobertas perto de cachoeira em Roraima As duas novas espécies de escorpiões descobertas por cientistas na Amazônia...

Duas novas espécies de escorpiões descobertas na Amazônia são de Roraima
Duas novas espécies de escorpiões descobertas na Amazônia são de Roraima (Foto: Reprodução)

Duas novas espécies de escorpião são descobertas perto de cachoeira em Roraima As duas novas espécies de escorpiões descobertas por cientistas na Amazônia foram encontradas nos arredores da Cachoeira do Evandro, em Mucajaí, no Sul de Roraima. A pesquisa que identificou e descreveu os animais inéditos foi conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os novos escorpiões encontrados na natureza receberam os nomes científicos de Cayooca puchus e Brotheas cernii. 🦂 As duas novas espécies têm tamanhos diferentes. O Cayooca puchus mede entre 3,2 e 5,1 centímetros, enquanto o Brotheas cernii varia de 4,5 a 5,7 centímetros. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A descoberta foi resultado de dez anos pesquisa, por meio de um projeto liderado desde 2016 pela pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Imunologia e Toxinologia da Unesp, Manuela Pucca. O trabalho teve o apoio do grupo de pesquisa Snakebite, da Universidade Federal de Roraima (UFRR). "Foi muito especial. É uma mistura de satisfação, surpresa e orgulho em saber que ainda existem espécies desconhecidas na Amazônia, especialmente em Roraima", disse Manuela. Amazônia: cientistas encontram duas novas espécies de escorpiões em área remota Os resultados da pesquisa foram publicados em junho deste ano na revista científica internacional Diversity, especializada em estudos sobre biodiversidade e editada pela Multidisciplinary Digital Publishing Institute (MDPI), na Suíça. Como as espécies foram descobertas? Para catalogar as duas espécies inéditas, os pesquisadores fizeram buscas ativas noturnas na região da Cachoeira do Evandro, em outubro de 2022. Nas expedições, eles usaram lanternas de luz ultravioleta, também conhecida como luz negra, para localizar os escorpiões. A equipe utilizou lanternas ultravioleta (UV) durante as expedições noturnas Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP Sob a luz UV, os animais ficam fluorescentes devido a compostos presentes na camada externa do corpo, o que facilita a localização em meio à vegetação. Os exemplares foram coletados com pinças e preservados em álcool a 70%. Em seguida, os animais passaram por medições e análises morfológicas, que avaliaram características físicas como cauda, pernas e cerdas sensoriais. Os pesquisadores também produziram fotografias em luz branca e UV, com auxílio de um estereomicroscópio, equipamento que amplia e permite observar em detalhes as estruturas do corpo dos escorpiões. As imagens passaram ainda por técnicas de empilhamento para aumentar a nitidez. Para confirmar que se tratava de espécies novas, as características dos animais foram comparadas com descrições e registros de espécies semelhantes em estudos científicos e com fotografias de outros exemplares. Os pesquisadores encontraram os escorpiões em áreas de rochas graníticas isoladas em meio à floresta, conhecidas como inselbergs. Essas formações, que funcionam como grandes “ilhas” de pedra, podem criar condições ambientais diferentes das áreas ao redor e abrigar espécies que não são encontradas em outros locais. A pesquisa reuniu pesquisadores de seis instituições do Brasil e do México. No Brasil, além da Unesp, participaram profissionais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), da UFRR), da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), e do Instituto Butantan. O estudo também contou com a colaboração de pesquisadores da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Busca por novos medicamentos Agora, a pesquisa pode ganhar um novo rumo. Os escorpiões foram enviados ao laboratório da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp, em Araraquara, onde as moléculas presentes nas peçonhas dos animais são estudadas. Uma das possibilidades estudadas pelos pesquisadores é usar substâncias presentes nos venenos de animais peçonhentos na busca por novos medicamentos. É nesse contexto que entra a bioprospecção, área que investiga compostos encontrados na natureza com potencial para aplicações na saúde. "As moléculas de escorpião, no geral, têm muito potencial para a gente fazer novos antimicrobianos, que seriam antibióticos, além de moduladores da resposta imune. A gente sabe que muitas doenças causam uma exacerbação, por exemplo, da resposta inflamatória. A gente tem algumas moléculas nesses venenos que são anti-inflamatórias. Realmente, esperamos que a gente possa produzir um medicamento futuro", disse a pesquisadora Marcela. A pesquisadora, no entanto, explica que estudos para o desenvolvimento de novos medicamentos podem levar entre 20 e 30 anos e não há garantia de que resultem em um tratamento. Apesar disso, os pesquisadores demonstram otimismo em relação aos resultados futuros. Descoberta na Amazônia mostra que a floresta ainda guarda espécies desconhecidas Reprodução/ estudo Atuação de pesquisadores de Roraima no estudo Além da coordenadora do estudo, pesquisadores do grupo Snakebite Roraima, da UFRR, também contribuíram para a pesquisa. Entre eles está o biólogo Felipe Augusto Cerni, um dos pesquisadores que atuam no estudo de venenos de escorpiões no Brasil. Cerni explicou que identificar uma espécie como nova é um processo complexo, principalmente porque as diferenças entre animais semelhantes podem ser difíceis de perceber durante as coletas. "A relevância maior está no fato da ciência criar uma expectativa de encontrar outros novos seres aqui, novos animais. No caso dessa [descoberta] foram dois aracnídeos, os escorpiões, mas ainda há outros a serem descobertos, destacou. Em reconhecimento à contribuição científica de Cerni, uma das novas espécies recebeu o nome Brotheas cernii. A descoberta das novas espécies reforça o quanto ainda há para conhecer sobre a biodiversidade de Roraima e a importância de preservar áreas pouco exploradas cientificamente. Cerni afirma que o achado também mostra a necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa no estado, que tem potencial para atrair a atenção da comunidade científica nacional e internacional. *Estagiário de produção sob supervisão e edição de Valéria Oliveira Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.